Caetano Veloso - Abraçaço

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 - CAETANO VELOSO - ABRAÇAÇO

1. A bossa nova é foda (Caetano Veloso)
2. Um abraçaço (Caetano Veloso)
3. Estou triste (Caetano Veloso)
4. O império da lei (Caetano Veloso)
5. Quero ser justo (Caetano Veloso)
6. Um comunista (Caetano Veloso)
7. Funk melódico (Caetano Veloso)
8. Vinco (Caetano Veloso)
9. Quando o galo cantou (Caetano Veloso)
10. Parabéns (Caetano Veloso e Mauro Lima)
11. Gayana (Rogério Duarte)


A bossa nova é foda

O bruxo de Juazeiro numa caverna do louro francês
(quem terá tido essa fazenda de areais?)
fitas-cassete, uma ergométrica, uns restos de rabada.
Lá fora o mundo ainda se torce para encarar a equação
pura-invenção/dança-da-moda.
A bossa nova é foda.

O magno instrumento grego antigo
diz que quando chegares aqui
que é um dom que muito homem não tem
que é influên-
cia do jazz
e tanto faz se o bardo judeu
romântico de Minnesota,
porqueiro Eumeu
o reconhece de volta a Ítaca:
a nossa vida nunca mais será igual
Samba-de-roda, neo-carnaval, Rio São Francisco,
Rio de Janeiro, canavial.
A bossa nova é foda.

O tom de tudo
comanda as ondas do mar,
ondas sonoras
com que colore no espacial.
homem cruel
destruidor, de brilho intenso, monumental,
deu ao poeta, velho profeta,
a chave da casa
de munição.
O velho transformou o mito
das raças tristes
Em Minotauros, Junior Cigano,
em José Aldo, Lyoto Machida,
Vítor Belfort, Anderson Silva
e a coisa toda:
a bossa nova é foda.

***

Um abraçaço

Dei um laço no espaço
Pra pegar um pedaço
Do universo que podemos ver
Com nossos olhos nus
Nossas lentes e azuis
Nossos computadores-luz

Esse laço era um verso
Mas foi tudo perverso
Você não se deixou ficar
No meu emaranhado
Foi parar do outro lado
Do outro lado de lá de lá

Ei
Hoje eu mando um abraçaço

Um amasso, um beijaço
Meu olhar de palhaço
Seu orgulho tão sério
Um grande estardalhaço
Pro meu velho cansaço
Do eterno mistério

Meu destino eu não traço
Não desenho ou desfaço
O acaso é o grão-senhor
Tudo o que não deu certo
E sei que não tem conserto
Meu silêncio chorou chorou

Ei
Hoje eu mando um abraçaço

***

Estou triste

Estou triste tão triste
Estou muito triste
Por que será que existe o que quer que seja?
O meu lábio não diz, o meu gesto não faz
Sinto o peito vazio
E ainda assim farto
Estou triste tão triste
E o lugar mais frio do Rio
É o meu quarto.

***

O império da lei

O império da lei há de chegar no coração do Pará,
O império da lei há de chegar no coração do Pará,
O império da lei há de chegar lá.

Quem matou meu amor
Tem que pagar
E ainda mais quem mandou matar
Ter olho no olho do Jaguar,
Virar Jaguar

O império da lei há de chegar no coração do Pará.

***

Quero ser justo

Disse que vinha e veio
Lá do norte
O mar nos olhos
Era mesa sem molhos
E eu nem cri na minha sorte
Houve curiosidade e um calmo susto
Alguma palidez por trás do ouro
Do seu rosto.
Quero ser justo:
Mesmo que não pudéssemos manter
A lua cheia acesa (ou não ainda)
Nem no seu nem no meu coração
Eu vi você:
Uma das coisas mais lindas da natureza
E da civilização.

***

Um comunista

Um mulato baiano
Muito alto e mulato
Filho de um italiano
E de uma preta haussá
Foi aprendendo a ler
Olhando o mundo à volta
E prestando atenção
No que não estava à vista:
Assim nasce um comunista.
Um mulato baiano
Que morreu em São Paulo
Baleado por homens
Do poder militar
Nas feições que ganhou
Em solo americano
A dita Guerra Fria
Roma, França e Bahia.

Os comunistas guardavam o sonho
Os comunistas, os comunistas.

O mulato baiano
O Minimanual
Do guerrilheiro urbano
Que foi preso por Vargas
Depois por Magalhães
Por fim, pelos milicos
Sempre foi perseguido
Nas minúcias das pistas
Como são os comunistas
Não que os seus inimigos
Estivessem lutando
Contra as nações-terror
Que o comunismo urdia
Mas por vãos interesses
De poder e dinheiro
Quase sempre por menos
Quase nunca por mais.

Os comunistas guardavam o sonho
Os comunistas, os comunistas.

O baiano morreu
Eu estava no exílio
E mandei um recado
Que eu que tinha morrido
E que ele estava vivo
Mas ninguém entendia.
Vida sem utopia
Não entendo que exista:
Assim fala um comunista.
Porém a raça humana
Segue trágica sempre
Indecodificável
Tédio, horror, maravilha.
Ó mulato baiano
O samba o reverencia
Muito embora não creia
Em violência e guerrilha
(Tédio, horror e maravilha).

Calçadões encardidos
Multidões apodrecem
Há um abismo entre homens
E homens, o horror!
Quem e como fará
Com que a terra se acenda
E desate seus nós
Discutindo-se clara
Iemanjá, Maria, Iara
Iansã, Cadija, Sara.
O mulato baiano
Já não obedecia
As ordens de interesse
Que vinham de Moscou
Era luta romântica
Era luz e era treva
Feita de maravilha
De tédio e de horror.

Os comunistas guardavam o sonho
Os comunistas, os comunistas.

***

Funk melódico

Não aprendi nada com aquela sentimental canção
Nada pra alertar meu coração
Mulher indigesta, você só merece mesmo o céu
Como está no samba de Noel

Você produz raiva, confusão, tristeza e dor
Prova que o ciúme é só o estrume do amor

Vá numa sessão de descarrego ou num médico
Meu amor tem preço módico
Não tenho um tijolo nem um paralelepípedo
Só resta o funk melódico.

(Não abrace abraçace essa letra-tijolo
Esse papo de céu
Foi só pelo Noel.
Nem com cheiro de flor
Bateria em você.
Não sou bravo nem forte
Nem mesmo do norte
Sem canto de morte
No meu HD.
O paralelepípedo
É um jeito de verso
Que quer dizer raiva
E mais raiva e mais raiva
Raiva e desprezo e terror,
Desamor.
O tijolo é gritar:
Você me exasperou.
Que você me exasperou.
Você me exasperou.
Você me exasperou.
Você me exasperou.)

***

Vinco

Eu que me posto exato entre teus lados
Determino teu centro, sou teu vinco
Finco o estandarte em teu terreno tenro
Em teu terreno tenro em teu terreno

Tu de par em par e essa passarela
Da veia de tua fronte até o vazio
Entre teus pés, teus pés outrora doces
Hoje amargados de asperezas-passos

Ásperos passos, pássaros sem fio
Que obrigas-te a evocar em danças-ansas
Danças que danças e lanças pra longe
De mim de mim de mim de mim de mim

Mesmo assim fundo o império no teu meio,
China, gaucha pampeira, prenda minha
Palavras castelhanas, lhanas lhanas
As terras tenras, pés de terra e fluidos

Terra que sente o próprio gosto, terra
Vermelha e rosa de pétala íntima
Mas terra onde eu hasteio uma nação
De desfazer-me eu meu, eu eu, eu, eu.

***

Quando o galo cantou

Quando o galo cantou
Eu inda estava agarrado
Ao seu pé e à sua mão
Uma unha na nuca
Você já maluca de tanta alegria
Do corpo, da alma e do espírito são
Eu pensava que nós
Não nos desgrudaríamos mais
O que fiz pra merecer essa paz
Que o sexo traz?
O relógio parou
Mas o sol penetrou
Entre os pelos brasis
Que definem sua perna
E em nossa vida eterna
Você se consterna
E diz: não,
Não se pode, ninguém pode ser tão feliz
Eu queria parar nesse instante
De nunca parar
Nós instituímos esse lugar
Nada virá
Deixa esse ponto brilhar
No Atlântico Sul
Todo azul
Deixa esse cântico
Entrar no sol no céu nu
Deixa o pagode romântico soar
Deixa o tempo seguir
Mas quedemos aqui
Deixa o galo cantar.

***

Parabéns

Tudo mega bom, giga bom, tera bom.
Uma alegria excelsa
Pra você
No paraíso astral que começa.
Hehe

***

Gayana

O amor que vive em mim
Vou agora revelar
Este amor que não tem fim
Já não posso em mim guardar
Eu amo muito você
Eu amo muito você

Eu não vou mais me calar
Eu não vou mais esconder
Este segredo guardado
Bem lá no fundo do peito
Eu amo muito você
Eu amo muito você

Não adianta fugir
Não adianta fingir
Já me cansei de sofrer
Por não poder lhe dizer
Eu amo muito você
Eu amo muito você

Nem me interessa saber
Se alguem vai condenar
O meu amor é maior
Do que a terra e o mar
Maior que o céu e as estrelas
Maior que tudo o que há

E se um dia eu me for
Para onde Deus me levar
Mesmo assim meu amor
Com você vai ficar.


Violão e Voz: Caetano Veloso
Guitarra e Coro: Pedro Sá
Baixo, Teclados e Coro: Ricardo Dias Gomes
Bateria, Percussões e Coro: Marcelo Calado

*Moreno Veloso: Baixo e Pratos em ‘’Gayana’’

Gravado em Mixado no Rio de Janeiro.
01 A Bossa Nova é Foda.mp3 9.34 MB
02 Um Abraçaço.mp3 9.193 MB
03 Estou Triste.mp3 12.495 MB
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